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Surrealismo e seus segmentos

O CINEMA

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No cinema, há, basicamente, quatro modos de representação da realidade:

(1) o realismo e suas variadas vertentes (neo-realismo, realismo poético, realismo socialista…);

(2) o idealismo (também conhecido como intimismo cujo apogeu se dá com a idade de ouro do cinema americano – anos 30 e 40);

(3) o expressionismo (Alemanha nos anos 10 e 20);

(4) o surrealismo.

O Surrealismo emprega a mesma filosofia no cinema, porém seu surgimento no mesmo tem uma relação muito estreitarelação com dois movimento:

*O expressionismo, principalmente o alemão:tendo como pano de fundo a instabilidade social e política que sucedeu a Primeira Guerra Mundial, o expressionismo alemão trouxe às telas cenários macabros e assustadores, que podem ser considerados um espelho do inconsciente coletivo nacional da época.

Unindo elementos do romantismo alemão e da literatura gótica, os diretores expressionistas colocavam em cena personagens obscuros, interagindo em histórias bizarras, enclausurados muitas vezes em interiores claustrofóbicos e sombrios e freqüentemente vistos sob perspectivas deformadas.

 

*A Vanguarda Francesa, um estilo inovador, bastante experimental e “progressista”, se é que essa palavra pode ser aplicada no cinema, se autodenominava “avant garde”.Essa era a intenção, viajar na linguagem cinematográfica.

“Nos dez anos compreendidos entre 1921 e 1931, desenvolveu-se um movimento artístico independente na cinematografia. Este movimento denominou-se Avant-Garde… Este movimento de arte em filme foi paralelo a movimentos nas artes plásticas tais como o Expressionismo, o Futurismo, o Cubismo e o Dadaísmo. Foi não comercial, não representacional, mas internacional”. (Hans Richter in Art and Cinema, 1947).

 

Existe lugar melhor do que o cinema para um movimento estético e irreal? Muitos surrealistas devem ter se perguntado a mesma coisa.A Câmera permite transformar a fantasia, o ilógico, o irracional em realidade.

É impossível falar de surrealismo na telona sem falar de Buñuel

Luis Buñuel

Vinculado à vanguarda surrealista, dirigiu em colaboração com Salvador Dali os seus primeiros filmes: Um Cão Andaluz (1929), curta-metragem carregado de imagens oníricas, e A Idade do Ouro (1930). Em 1932, rodou um documentário hiper-realista intitulado Terra sem Pão. Em 1935, interveio na fundação da sociedade Filmófono e produziu diversos filmes. Durante a guerra civil, participou em produções republicanas, como Madri (1936) ou España Leal en Armas (1937). Forçado a se exilar, instalou-se no México, onde dirigiu filmes de grande projeção, como Os Esquecidos (1951), Él (1952) e Nazarín (1959). Em 1961, voltou à Espanha, onde rodou Viridiana, que obteve o grande prêmio do Festival de Cannes, mas que foi censurado pelo regime franquista. Durante os anos 60, dirigiu O Anjo Exterminador (1962) e A Bela da Tarde (1966), antes de retornar à Espanha, onde rodou Tristana (1970). Pouco depois dirigiu O Discreto Charme da Burguesia (1972) e, finalmente, Esse Obscuro Objeto do Desejo (1978). Em 1982, publicou o livro de memórias Meu Último Suspiro.

Quando Buñuel apresentou, em Paris ,O Anjo Exterminador (1961), o exibidor lhe solicitou que escrevesse alguma coisa para colocar na porta da sala de exibição. Buñuel rabiscou o seguinte: “A única explicação racional e lógica que tem este filme é que ele não tem nenhuma”. Noutra ocasião, ao ganhar o Leão de Ouro de Veneza por A Bela da Tarde (Belle de Jour, 1966), lhe perguntaram o significado da caixinha de música que um japonês carrega quando no quarto com Catherine Deneuve. O cineasta respondeu que não sabia. Assim, o espectador não pode racionalizar dentro de determinada lógica nos filmes surrealistas. É claro que os significados existem, amplos, dissonantes e insólitos. E por que os convidados aristocráticos de O Anjo Exterminador, ainda que não haja nenhum obstáculo que lhes impeçam de sair, não conseguem evadir-se da mansão? Um recurso surreal para a análise da condição humana, um laboratório criado para se investigar pessoas numa situação-limite.

 

Jean Vigo

Realizador francês, Jean Vigo, de seu nome completo Jean Bonaventure de Vigo, nasceu a 26 de Abril de 1905, em Paris, onde viria a morrer de tuberculose a 5 de Outubro de 1934. Filho do anarquista militante Miguel Almereyda, que morreu na prisão quando ele tinha 12 anos, Jean Vigo foi abandonado pela mãe e educado em colégios internos, passando sempre por hospitais e sanatórios devido à sua saúde frágil provocada por dificuldades respiratórias. Aos 23 anos, começou a frequentar o meio do cinema e, apesar de apenas ter terminado três curtas-metragens e uma longa-metragem que escreveu e realizou, o contributo do seu realismo poético para o cinema é considerado de extrema importância. Estudou na Sorbonne e trabalhou com o operador de câmara Leonce Henry Burel, antes de comprar a sua câmara de filmar em segunda mão. Mas o seu primeiro documentário, À Propos de Nice (1930), em que a vida dos ricos contrasta com a dos pobres, viria a ser filmado pelo operador de câmara Boris Kaufman, irmão de Dziga Vertov. O seu segundo trabalho, Taris, Champion de Natation (1931), surpreendeu pelo ritmo e efeitos inovadores. Seguiu-se Zero de Conduite (1933), sobre a revolta num colégio interno de França, que descreve as suas próprias angústias de infância e é um discurso provocatório, subversivo, real (em termos do discurso inspirado na experiência), tocando o surreal e mesmo o fantástico (porque, à época, rompia todas as barreiras do “statu quo”, em termos de conteúdo), sobre o mundo das crianças que influenciou muitos realizadores da Nouvelle Vague. Este filme esteve banido até 1945, altura em que o seu trabalho começou a ser valorizado. O seu último trabalho, e única longa-metragem, foi a obra-prima L’Atalante (A Atalante, 1934), uma realista e romântica história sobre um casal jovem que se desloca num barco que dá o título ao filme.

Jean Cocteau

Jean Maurice Eugène Cocteau (Maisons-Lafitte, 5 de julho de 1889 — Milly-la-Forêt, 11 de outubro de 1963) foi um cineasta, ator, encenador e autor de teatro francês.

Nascido numa pequena vila próximo a Paris, Jean Cocteau foi um dos mais talentosos artistas do século XX. Além de ser diretor de cinema, foi poeta, escritor, pintor, dramaturgo, cenógrafo e ator e escultor. Cocteau começou a escrever aos dez anos, aos dezesseis já publicava suas primeiras poesias. A sua principal obra de poesia é o livro Clair-obscur, editado em 1954.

Actuou activamente em diversos movimentos artísticos, nomeadamente o conhecido Groupe des Six (grupo dos seis) cujo núcleo era Georges Auric (1899–1983), Louis Durey (1888–1979), Arthur Honegger (1892–1955), Darius Milhaud (1892–1974), Francis Poulenc (1899–1963), Germaine Tailleferre (1892–1983). Além destes, outros também tomaram parte, como Erik Satie e Jean Wiéner.

Foi eleito membro da Academia Francesa em 1955.

Homossexual, não escamoteou sua orientação sexual. Manteve estreita amizade com Jean Marais, seu ator preferido. Dentre seus amigos destaca-se Edith Piaf, Jean Genet, etc.

Cocteau realizou sete filmes e colaborou enquanto argumentista, narrador em mais alguns. Todos ricos em simbolismos e imagens surreais. É considerado um dos mais importantes cineastas de todos os tempos.

É famoso pela frase: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”

Cito aqui três ótimos filmes, o primeiro é o maior clássico do cinema puro surrealista, os outro dois são filmes que mostram como o surrealismo está presente em doses diferentes no cinema:

Un Chien Andalou

 

Produzido em 1929, “Un Chien Andalou” é considerado o filme que gerou o movimento surrealista puro, tornando-se uma marca registrada na história do cinema. Baseado numa mescla de sonhos entre Dali e Buñuel, este conto de desejos reprimidos, abre inocentemente com as palavras “Era uma vez”, segue com a cena mais célebre e chocante do cinema – uma navalha que corta o olho de uma mulher em close-up/detalhe. Um filme desesperador, uma atração apaixonada e assassina. Este filme é um triunfo à arte, é um histérico passeio da alegria escura, cujo poder de enfrentar o expectador não ficou diminuído depois de mais de três quartos de século. Fantástico, enlouquecedor, a arte em sua essência primitiva.

 

 

Frida

 

 

A diretora Julie Taymor (Titus) leva às telas a história de Frida Kahlo, pintora que revolucionou a arte mexicana. Com Salma Hayek, Geoffrey Rush, Alfred Molina, Antonio Banderas, Ashley Judd e Edward Norton. Vencedor de 2 Oscars.

Ficha Técnica
Título Original: Frida
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 123 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
2002
Site Oficial: www.miramax.com/frida
Estúdio: Miramax Films / Lions Gate Filmes Inc. / Trimark Pictures / Handprint Entertainment / Ventanarosa Productions
Distribuição: Miramax Films / Lumière
Direção: Julie Taymor
Roteiro: Clancy Sigal, Diane Lake, Gregory Nava e Anna Thomas, baseado em livro de Hayden Herrera
Produção: Lindsay Flickinger, Sarah Green, Nancy Hardin, Salma Hayek, Jay Polstein, Roberto Sneider e Lizz Speed
Música: Elliot Goldenthal
Fotografia: Rodrigo Prieto
Desenho de Produção: Felipe Fernández del Paso
Direção de Arte: Bernardo Trujillo
Figurino: Julie Weiss
Edição: Françoise Bonnot
Efeitos Especiais: Amoeba Proteus / Kleiser-Walczak Construction Company

 

Sinopse:
Frida Kahlo (Salma Hayek) foi um dos principais nomes da história artística do México. Conceituada e aclamada como pintora, ele teve também um casamento aberto com Diego Rivera (Alfred Molina), seu companheiro também nas artes, e ainda um controverso caso com o político Leon Trostky (Geoffrey Rush) e com várias outras mulheres.

Brazil

Título Original: Brazil

Gênero: Comédia

Origem/Ano: UK/1985

Duração: 124 min

Direção: Terry Gilliam

Elenco:

Jonathan Pryce…
Robert De Niro…
Katherine Helmond…
Ian Holm…
Bob Hoskins…
Michael Palin…
Ian Richardson…
Peter Vaughan…
Kim Greist…
Jim Broadbent…
Barbara Hicks…
Charles McKeown…
Derrick O’Connor…
Kathryn Pogson…
Bryan Pringle…

Sam Lowry
Archibald Tuttle
Mrs. Ida Lowry
Mr.M.Kurtzmann
Spoor
Jack Lint
Mr. Warrenn
Mr. Helpmann
Jill Layton
Dr. Jaffe
Mrs. Terrain
Lime
Dowser
Shirley
Spiro

Sinopse: Brazil é uma visão estilo pesadelo surrealista de um futuro “Perfeito” onde a tecnologia reina suprema. Todos são monitorados por uma agência governamental secreta que proíbe que o amor interfira com a eficiência. Quando um sonhador burocrata envolve-se inadvertidamente com um super-herói da clandestinidade e uma linda e misteriosa mulher, tornado-se a trágica vítima de suas próprias ilusões românticas. Essa fantasia inusitada intercala humor ácido com comentários incisivos para nos proporcionar uma visão inesquecível de um amanhã deliciosamente imoral.

Literatura

Os surrealistas deram seguimento, como seus antecessores literários, a uma longa linha de excelentes escritores, entre os quais Comte de Lautreamont (1846-70), autor do longo e complicado romance Les chants de Maldoror (1868). Além de Breton, muitos dos escritores franceses mais distinto do início do século se conectaram ao movimento, incluindo Paul Eluard, Louis Aragon, Rene Crevel (1900-35), e Philippe Soupault (1897-1990). Escritores mais jovens, como Raymond Queneau (1903-76) também foram influenciados por seus pontos de vista.
Os escritores surrealistas mais “puros” usaram o automatismo como uma forma literária, quer dizer: escreviam quaisquer palavras que entrassem em sua mente consciente, considerando-as invioláveis. Não alteravam o que escreviam, pois isto constituiria uma interferência com o puro ato de criação. Sentiam que este fluxo livre de pensamento estabeleceria uma conexão com a mente subconsciente de seus leitores. Um pequeno exemplo típico de um texto surrealista é este provérbio de Paul Eluard: “Elefantes são contagiosos”. Este automatismo puramente psíquico foi modificado depois pelo uso consciente, especialmente na pintura, de símbolos derivados da psicologia freudiana.
Como seus precursores dadaístas, os surrealistas quebraram regras aceitas de trabalho e conduta pessoal para liberar sua sensação de verdade interna. O movimento espalhou-se por todo o mundo e floresceu na América durante a Segunda Guerra Mundial, quando André Breton passou a residir em New York.

O Surrealismo na literatura sempre foi muito atrativo para lguns escritores, como foi citado.Dificilmente é encontrado na literatura o surrealismo puro.

Isidoro Ducasse

Isidoro Ducasse (Montevideu, Uruguai, 4 de Abril de 1846 – Paris, França, 24 de Novembro de 1870) é mais conhecido pelo pseudónimo literário de Conde de Lautréamont. O seu poema em sessenta estrofes, Les Chants de Maldoror – (“Os Cantos de Maldoror”, em português) é considerado uma obra seminal no campo da literatura fantástica, ainda que hoje escape a qualquer classificação. Crê-se que o seu pseudónimo tenha sido inspirado no nome de um romance de Eugène Sue, “Latréaumont” (note-se que há uma leve diferença na grafia da palavra); a atribuição do título Conde poderá ser uma referência ao Marquês de Sade ou uma forma de se demarcar da burguesia, ainda que não existam quaisquer provas destas duas teses.

Os críticos e o público em geral dividem-se quanto à classificação da obra deste autor. Para uns, foi um génio da literatura universal – André Breton considerava-o uma “revelação total que parece exceder as possibilidades humanas”; Léon Bloy, por seu lado, classificava-o como louco, “uma ruína humana completa”. Contudo, o autor foi tornando-se uma referência, principalmente para intelectuais apreciadores do género mais subversivo da literatura, tornando-se um autor de culto.

Pouco se sabe sobre a vida deste poeta. Nasceu no Uruguai, “nas costas da América, na foz do La Plata”, como indica no Canto I da sua obra-prima, onde também se identifica como “Montevidense”. A sua mãe, francesa, morreu quando este tinha apenas vinte meses. Mais tarde, em Outubro de 1859, foi estudar para França no colégio interno de Tarbes e, depois, no colégio de Pau, onde foi colega de Paul Lespès, uma das pessoas a que os “Chants” são dedicados e a cujo testemunho se deve o conhecimento a respeito de uma situação ocorrida numa aula de retórica do professor Gustave Hinstin. Este professor, que também consta na dedicatória do seu poema, tê-lo-á repreendido publicamente de forma severa devido ao conteúdo de uma das suas “Poesias” – Ducasse ter-se-á sentido extremamente injustiçado com a situação.

Foi também descoberta em 1977 uma edição da Ilíada de Homero, em Espanha, com a seguinte inscrição na folha de rosto: “Propriedad del señor Isidoro Ducasse nacido en Montevideo (Uruguay) – tengo tambien “Arte de hablar” del mismo autor. 14 avril 1863.” – o que leva a crer que, apesar de ter escrito a sua obra maior em francês, utilizasse principalmente a língua espanhola.

Paul Éluard

Paul Éluard, pseudônimo de Eugène Emile Paul Grindel (14 de dezembro de 1895, Saint-Denis, perto de Paris – 18 de novembro de 1952, Charenton-le-Pont, perto de Paris) foi um poeta francês, autor de poemas que circularam clandestinamente durante a 2a Guerra Mundial, contra o nazismo.

Participou no movimento dadaísta, foi um dos pilares do surrealismo, abrindo caminho para uma ação artística mais engajada, até filiar-se ao partido comunista francês. Tornou-se mundialmente conhecido como O Poeta da Liberdade.

 

Louis Aragon

(Paris, 1897 – idem, 1982)

Escritor francês.Inicia muito jovem a sua actividade literária. A Primeira Guerra Mundial interrompe os seus estudos de Medicina e, em 1917, é destacado para um hospital, onde conhece André Breton. Com este e com Soupault, cria a revista Littérature, animadora do surrealismo. Deste período é o seu Feu de joie (1920) e Le Mouvement Perpétuel (1924). Em 1927 adere ao Partido Comunista, e um ano mais tarde conhece a escritora de origem russa Elsa Triolet, com quem casa. Fruto desta união são diversos livros de tema amoroso publicados entre 1942 e 1963: Les Yeux d’Elsa, Les Yeux et la Mémoire, Elsa e Le fou d’Elsa.

Em 1931 distancia-se dos surrealistas, mas não abandona as ideias básicas inspiradoras do surrealismo. A poesia da etapa surrealista caracteriza-se especialmente pela ductilidade da sua imaginação estilística. Em obras poéticas posteriores aprecia-se uma atenta recuperação de formas tradicionais, como a rima e a estrofe. Viaja várias vezes para a Rússia, e em 1933 a sua militância comunista leva-o a colaborar no diário L’Humanité. Posteriormente publica vários romances de conteúdo social (Os Sinos de Basileia, Les Communistes). Durante a Segunda Guerra Mundial participa na resistência antinazi. São desses anos poemas de ardente patriotismo, como Le Crève-coeur e La Diane Française.

Após a guerra inicia uma pródiga actividade como romancista que se caracteriza pela renovação das técnicas narrativas e por certo distanciamento do realismo de tipo social que anteriormente é cultivado. Sobressaem neste sentido Condenado à Morte e, sobretudo, A Semana Santa. Fruto das suas colaborações nas revistas Littérature, Commune e Lettres Françaises e em diversos diários são numerosos os seus ensaios críticos

André Breton

Escritor francês. Vive a aventura do surrealismo como uma experiência existencial. Em Valéry descobre o poder subversivo da inteligência pura. Cerca de 1920 adere ao grupo Dadá, mas logo de seguida se opõe a Tzara. Descobre o automatismo como meio de renovar a arte e lê com paixão Rimbaud e Lautréamont. Em 1924 lança o Manifesto do Surrealismo.

Animado por uma ardente vontade de acção, a sua rebeldia inata leva-o a posturas revolucionárias. Publica as revistas La Révolution Surrealiste e Le Surréalisme au Service de la Révolution. Mas o surrealismo não pode submeter-se de todo, e as suas relações com o Partido Comunista são sempre delicadas.

Paralelamente à sua ação política, Breton prossegue a sua investigação sobre o homem e o mundo. O encontro amoroso com Najda e a experiência vivida com esta jovem mulher inspiram-lhe a escrita de Nadja, que é a única obra verdadeiramente grande de Breton. Peça interessante e característica do surrealismo é também O Amor Louco. Após a Segunda Guerra Mundial, que passa nos Estados Unidos, regressa a França e dedica-se a prodigalizar censuras e ânimos aos seus jovens discípulos.

O mais valioso do seu incessante labor é que contribui para fazer do surrealismo o encontro do aspecto temporal do mundo com os valores eternos: o amor, a liberdade, a poesia.

Apesar de seus ótimos escritores, a literatura surrealista não “vingou”… por quê?

Quando você passa um pensamento para um quadro, por exemplo, você simplesmente o pinta e assim você terá no quadro uma visão ampla e variável do seu pensamento, já que dependerá do ângulo, da luminosidade, da sensação, da emoção impregnada na figura.Porém, isso não acontece na literatura, o choque é menor e prende menos atenção, a maioria dos leitores que não são muito ligados ao surrealismo, e até alguns que são ligados, sentem falta de uma estrutura textual para facilitar a leitura e conseqüentemente um melhor processamento daquilo que o sujeito está lendo.

Sendo isso uma qualidade ou um defeito, a literatura surrealista continua sendo surpreendente.

Surrealismo no Brasil

Aqui no Brasil, quando os dadaístas e surrealistas, à luz da “descoberta” do inconsciente e das teorias freudianas, começam a decretar o primado das formas livres, da inconsciência se sobrepondo aos apelos da razão e do cotidiano, Durval Marcondes, por sua vez, iniciava sua descoberta de Freud. Marcondes fez parte do movimento modernista brasileiro, chegando a publicar um poema na revista Klaxon, em agosto de1922 —quase seis meses depois da Semana de Arte Moderna.

Quando Durval Marcondes e Franco da Rocha fundaram a Sociedade Brasileira de Psicanálise, em 1927, vários escritores, como Menotti del Picchia, estavam inscritos entre os 24 primeiros membros, tamanha era a ligação entre os artistas e a pscanálise.

Em 1954, surge, em Paris, o movimento outsider Phases. O grupo não definia qualquer estética e propunha, grosso modo, apenas a liberdade para a manifestação do inconsciente. Anos mais tarde, mais precisamente em 1967, Walter Zanini, o primeiro diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP, organizou o Grupo Austral de pintura, o qual era umrepresentante do Phases no Brasil.

Robert Ponge: o Surrealismo na América Hispânica e no Brasil

(entrevista)

Luciana Hidalgo
De agosto a outubro de 2001, o Centro Cultural do Banco do Brasil-CCBB, no Rio de Janeiro, apresentou uma mostra sobre o Surrealismo. Embora tenha havido ali um avanço de percepção, ao se reservar várias salas às produções do Surrealismo na América Latina, o assunto ainda é tratado de maneira distanciada, raramente compreendido na essência, sobretudo pelos críticos de arte e literatura. A entrevista que ora publicamos é uma leitura de Robert Ponge, responsável pelo volume coletivo Surrealismo e Novo Mundo (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1999), acerca de assuntos que permitem um diálogo introdutório, daí que sua importância radique exatamente no que sugere de desdobramento da discussão. (F. M.)
Como, e exatamente quando, o surrealismo se estendeu da Europa até a América Latina e, especificamente, até o Brasil? Como se deu este processo?

– O surrealismo começou a vir a luz em 1919, em Paris, com o lançamento da revista Littérature, por André Breton, Philippe Soupault e Louis Aragon, e com a descoberta da escritura “surrealista” (isto é, automática) pelos dois primeiros. Cinco anos depois, em 1924, o surrealismo foi fundado, proclamado enquanto movimento nomeada e explicitamente surrealista, através de várias iniciativas tomadas por um grupo de jovens poetas franceses (o Manifesto de Breton lista 19 nomes) que estava também reagrupando pintores, fotógrafos e outros, de diversas nacionalidades (Max Ernst era alemão, Man Ray estadunidense, Picasso espanhol, etc.).
– A chegada do surrealismo na América foi extremamente rápida. Sabe-se, por exemplo, que, no Brasil, em 1925 (talvez antes), Prudente de Moraes, neto e Sérgio Buarque de Holanda já realizavam experiências de escritura surrealista; na Argentina, foi também em 1925 que um grupo de jovens reunido em torno de Aldo Pellegrini (então estudante de medicina) iniciou um processo de discussão e experimentação do surrealismo.
Como explicar esta extrema rapidez?

– Os debates e a reflexão internacionais e intercontinentais sobre os rumos da arte moderna vinham se desenvolvendo desde o século 19, através das viagens, dos livros, das revistas, da imprensa, tendo ocorrido inclusive, no início do século 20, uma aceleração do fluxo de informações e do ritmo dos contatos internacionais em decorrência dos progressos nas comunicações. No bojo desses debates internacionais, as informações sobre a revista Littérature, sobre André Breton, seus companheiros e seu ideário começaram a chegar à América Latina antes de 1924, no mínimo lá por 1922 ou 1923.

Como foi a recepção do surrealismo no Brasil?

– A recepção variou bastante segundo os grupos e as pessoas. Aqueles que se consideravam como os pilares da defesa da tradição procuraram ignorar o surrealismo e evitar que sua existência fosse divulgada, comentada. Entre os modernistas, o leque de posições ia desde as reservas (diferenciadas) de Mário de Andrade ou Carlos Drummond de Andrade até as fases de franca simpatia e interesse de Prudente de Moraes, neto e Sérgio Buarque de Holanda, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral (no seu período antropofágico), Ismael Nery (ver seus quadros), etc. Houve também críticas e combate explícito ao surrealismo (por exemplo, em março de 1929, no Diário de São Paulo, o crítico Raul de Polillo atacou grosseiramente o poeta surrealista francês Benjamin Péret, então residente no Brasil).
Isso para os anos 20. Depois, pode-se dizer que, apesar de algumas simpatias individuais para com o surrealismo, o clima dominante em relação ao mesmo tendeu a ser bastante reticente, freqüentemente contrário, não poucas vezes hostil. Por várias razões, entre as quais cito apenas algumas: o radicalismo artístico, cultural e ideológico do surrealismo despertava receios; sua crítica dos lugares comuns e pretensas verdades universais do chamado bom senso incomodava; enfim, o surrealismo era com freqüência visto como coisa de franceses, irrelevante para as artes do Brasil. Obviamente, contribuíram para essas posturas o conservatismo ideológico e cultural então dominante, as diversas políticas de estreito nacionalismo cultural e de retorno à ordem (política e culturalmente) que dominaram a partir dos anos 30, sem falar nas conseqüências das severas limitações (censura, pressões políticas, prisões) às liberdades democráticas nos sucessivos governos Vargas (remeto aos estudos de Sergio Lima, Flávio Kothe e Valentim Facioli sobre essas questões). O que ajuda a entender porque a obra de, por exemplo, Ismael Nery permaneceu tanto tempo ignorada, para não dizer desprezada, devendo-se esperar os anos 70 para que começasse a receber o devido reconhecimento. O que também ajuda um pouco a entender porque o primeiro grupo surrealista no Brasil surgiu tão somente nos anos 60 a partir de iniciativas de Sergio Lima (que estivera na França e conhecera Breton em 1961), Claudio Willer e outros.

Pode-se dizer que houve um “movimento” surrealista na América Latina, ou foi mais uma união de expressões isoladas?

– A história do surrealismo na América Latina registra a existência de ambos: houve grupos e houve atividades isoladas; inclusive, não faltaram os casos em que as mesmas pessoas puderam vivenciar as duas situações. Não há porque opor as expressões coletivamente organizadas do surrealismo (os grupos) às manifestações individuais. Inclusive porque foram raros os grupos que tiveram uma existência e funcionamento permanentes, sem solução de continuidade coletiva. O surrealismo é feito do individual e do coletivo, enriquecendo-se com as contribuições de ambos e com a dialética entre ambos.
Adere-se ao surrealismo (ao “movimento”) pela ilustração e defesa (se posso assim dizer) de certos valores fundamentais, vitais: revolta, poesia, liberdade, amor, maravilhoso, humor, etc. Porém, a existência de um grupo em um dado lugar ou país, em um dado momento, depende da reunião de fatores que não resultam apenas da vontade pessoal de tal ou qual indivíduo.

Mas aquelas individualidades consideradas “surrealistas” na América Latina, elas comungaram realmente do pensamento, da filosofia do movimento, ou apenas “flertaram” com o surrealismo, a exemplo de Ismael Nery?

– Antes de abordar a questão do “flerte”, é preciso esclarecer que nem todos aqueles que, um dia, aderiram ao surrealismo mantiveram-se fiéis ao movimento e a seus valores. Assim, o escritor francês Louis Aragon, um dos fundadores, foi surrealista, autenticamente surrealista, de 1919 a 1932, data em que voltou as costas para o surrealismo, renegando seus valores essenciais e sua própria trajetória anterior. Mas, embora ele tenha mudado de convicções e de combate, esta trajetória anterior não deixou de ter sido surrealista e valorizada pelos surrealistas.
Quanto aos possíveis casos de “flertes”: trata-se de poetas, artistas que nunca se declararam surrealistas, nunca aderiram ao movimento surrealista, mas sofreram uma inegável influência do surrealismo – quer esta seja ou não reconhecida por eles. Para complicar um pouco mais, há também o caso daqueles que, sem sofrer a influência do surrealismo, produziram obras que possuem afinidades com o surrealismo, isto é, que o surrealismo reconhece como mais ou menos próximas das suas (pode-se pensar na obra de Chirico até o início dos anos 20 e na obra de Chagall).

– Para melhor entendimento, talvez poderia continuar dando alguns outros exemplos concretos?

– Exatamente, começarei com as atividades coletivas do surrealismo na América Latina. Esclareço que não ultrapassarei os anos 50: para não estender demais esta entrevista e, sobretudo, em função da periodização definida pela curadoria da exposição do Centro Cultural do Banco do Brasil-CCBB.
– Na Argentina, em 1926, alguns estudantes da Universidade de Buenos Aires, liderados por Aldo Pellegrini, criaram o primeiro grupo surrealista de língua castelhana (também o primeiro grupo surrealista no continente americano). Como fruto de suas atividades, lançaram, em 1928, a revista Qué, pioneira nas Américas, que desapareceu em 1931, após a publicação de seu segundo número.
No Peru, a Lima dos anos 30 presenciou as atividades do ativo núcleo surrealista composto por César Moro, Emilio Adolfo Westphalen e Rafo Méndez Dorich. A partir de 1949, em função de contingências da vida, eles viram-se obrigados a desenvolver atividades individuais, isoladas.
Em 1938, Santiago do Chile testemunhou a fundação do magnífico grupo Mandrágora cuja trajetória foi “um exemplo de integridade, lucidez e valentia” (nos termos do poeta mexicano Octavio Paz); nos anos cinqüenta, o grupo se desfez, seus ex-membros passando a desenvolver trajetórias apenas individuais.
Nos anos 40, nas Antilhas, registramos o surgimento de duas revistas: Tropiques, de língua francesa, na Martinica, e La Poesía Sorprendida, de língua espanhola, na República Dominicana. Ainda na década de 40, o surrealismo argentino, que, no plano coletivo, parecia ter entrado em estado de hibernação, ressurgiu, mostrando que não estava morto: inicialmente com obras individuais de Enrique Molina e de Aldo Pellegrini, a seguir, nos anos 50 e 60, com revistas (em particular a originalíssima A partir de cero, 1952-1954, 3 números) e outras manifestações coletivas.
Quanto ao México, a partir de 1937-1940, tornou-se uma terra de exílio para aqueles que fugiam da Espanha do generalíssimo Franco e da Europa de Hitler – entre eles vários surrealistas. Em 1940, César Moro e Wolfgang Paalen organizaram uma bela Exposição Internacional do Surrealismo, que angariou um grande sucesso de curiosidade e… incompreensão. De forma que o enraizamento do surrealismo em terra mexicana deve-se, antes de mais nada, ao encontro e fusão dos exilados (que, em sua maioria, integraram-se ao México) com os mexicanos que estavam se aproximando do surrealismo. Foi assim que Octavio Paz conheceu o poeta surrealista francês Benjamin Péret e tornou-se uma das estrelas de maior brilho no firmamento poético do surrealismo. Mas estamos entrando no terreno das individualidades…

Quais os escritores e artistas mais emblemáticos daquilo que se considera o surrealismo no Brasil?

– A história do surrealismo no Brasil ainda está por ser escrita. Até recentemente, a tese dominante – e inconteste (ou quase) – era de que não houve surrealismo no Brasil antes dos anos 60 (isto é, até o surgimento do grupo surrealista de São Paulo/Rio, que reunia Sérgio Lima, Claudio Willer e seus companheiros). Também não se procurava entender e explicar o que poderia ter motivado essa total ausência do surrealismo no Brasil. As coisas estão mudando, e já se conta com alguns trabalhos instigantes. Mas ainda se está longe de possuir respostas satisfatórias para todas as dúvidas.
Para responder à pergunta, direi que, antes dos anos 60, existiram vários nomes cuja caracterização como surrealista continua diversamente avaliada – reconhecida, discutida, questionada ou negada -, mas cuja obra poética e/ou plástica mantinha relações ou afinidades com as obras dos surrealistas. Independentemente da opinião que cada um possa ter a respeito da caracterização desses poetas e artistas, é impossível, quando se fala em surrealismo no Brasil, não fazer no mínimo algumas referências a, entre outros, certos nomes que, inclusive, os visitantes puderam ver na mostra do CCBB: o Cícero Dias do primeiro período; a Tarsila do Amaral da fase antropofágica (O sono); Ismael Nery, em quem as questões da dualidade e das forças internas, bem como o questionamento da visão estão evidenciados (Desejo de amor); Murilo Mendes; seu amigo Jorge de Lima, cujas “fotomontagens” tomam suas raízes na collage, nas colagens surrealistas; Flávio de Carvalho, cuja postura combativa, questionadora e irreverente (A inferioridade de Deus) faz dele um dos mais “surrealistas” entre os pensadores e artistas brasileiros; etc. Sem esquecer Maria Martins, cuja obra foi descoberta e reconhecida como surrealista em… Nova Iorque, em 1943, por Breton e seus amigos – Maria Martins de quem se pôde admirar, no CCBB, obras essenciais como Cobra grande (na qual, pela primeira vez na arte, o desejo “consegue se permitir toda licença” – Breton) ou ainda O impossível e O caminho, a sombra, muito longos, muito estreitos (“obras-mestras de inspiração resolutamente interior” – Breton novamente).

– Quais os escritores mais emblemáticos daquilo que se considera o surrealismo nos demais países da América Latina?

– No terreno da poesia, impossível não iniciar com o grande pioneiro do surrealismo hispano-americano, Aldo Pellegrini, que Octavio Paz definiu em três palavras: “inteligência, sensibilidade, fervor”. A seguir, deve-se listar, entre outros, os nomes de excelentes poetas como o peruano Emilio Adolfo Westphalen (uma personalidade excepcional), o venezuelano Juan Sánchez Peláez (um escritor vigoroso), o haitiano Magloire-Saint-Aude (uma poesia soberba), o martiniquês Aimé Césaire (autor do “mais importante monumento lírico de nossos tempos”, segundo Breton) e o chileno Enrique Gómez-Correa (o homem do furor poeticus e da fidelidade à Mandrágora). Enfim, retomando as palavras de Octavio Paz, cabe relembrar “três nomes que são três ilhas que são três solidões”: os argentinos Antonio Porchia e Enrique Molina, e o peruano César Moro. Sem obviamente esquecer o próprio Octavio Paz, que se destacou como poucos nos domínios da reflexão teórica e da livre criação.

– E nas artes plásticas?
– Na Argentina, houve dois “precursores” interessantes: o genial Xul Solar, homem surpreendente, de vários instrumentos, e Antonio Berni, que “flertou” com os prenúncios do surrealismo ao cultivar um “fantástico” digno de estima. Buenos Aires entrou no surrealismo propriamente dito com Juan Battle Planas, que, como professor e através de sua experimentação, exerceu grande influência sobre a geração seguinte (Roberto Aizenberg, de quem uma obra esteve exposta no CCBB, Noé Nojechowiz, Julio Silva, etc.). O visitante da exposição do CCBB pôde adquirir uma idéia da trajetória de Battle Planas: começou praticando aquilo que chamava de “automatismo energético” (ver, por exemplo, sua Radiografia paranóica, de 1936) para desembocar numa fase “tibetana”, em que figuras humanas saídas de lugar nenhum vagam em um espaço indefinível (como na série das Personagens, 1941).
Quando se pensa em arte surrealista no México dos anos 40 e 50, não se pode esquecer que o surrealismo tornou-se parte da história e da mitologia daquele país tanto através dos artistas europeus que chegaram como exilados e lá se enraizaram (a inglesa Leonora Carrington, Cavalos, raposas e palácio, 1941; o austríaco Wolfgang Paalen, Mother of Agate, 1946; e a espanhola Remedios Varo, Visita ao passado, 1957) como através dos artistas nascidos no próprio México, entre outros, Tamayo, Gunther Gerzso ou Manuel Alvarez Bravo; aliás, as fotografias do último são, no entender de Paz, “verdadeiras imagens no sentido surrealista da palavra imagem: subversão e transfiguração da realidade” (uma bela seleção de sua obra esteve exposta no CCBB).
Enfim, não se pode encerrar este por demais breve e incompleto panorama do surrealismo latino-americano sem mencionar dois dos mais conhecidos artistas plásticos do continente: Roberto Matta e Wifredo Lam.
Inscrita sob o signo de um automatismo dos mais puros (que ele, por vezes, refreava), a trajetória de Matta transcorreu dos inscapes fantásticos (ou paisagens internas) à morfologia do “homem escândalo” (em que a denúncia pode ser subliminar ou explicitada no título, como em Contra vocês assassinos de Palomas, 1950).
Quanto a Wifredo Lam, filho de um imigrante chinês e de uma cubana negra, soube assumir essa herança cultural em sua obra. Do casamento das Antilhas, da Oceania e da África, resultou um universo pessoal extremamente original e enigmático, ao qual foi incorporando o imaginário mitológico dos rituais vodus, como em O barulho (1942, peça que prepara ou anuncia sua obra-prima, A selva), em que o humano, o vegetal e o animal se entrelaçam, se transmutam e se confundem.

Robert Ponge (Paris, 1945) é professor titular do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul/UFRGS, em que leciona literatura e, também, tradução; é coordenador de O surrealismo e seus diálogos com a modernidade: aproximações interdisciplinares, grupo de pesquisa interinstitucional cadastrado no Diretório CNPq dos Grupos de Pesquisa. Contato: ilelet2@ufrgs.br. Luciana Hidalgo é jornalista. Página ilustrada com obras do artista Ludwig Zeller (Chile)..

revista de cultura # 18/19 – fortaleza, são paulo – nov/dez de 2001

Surrealismo hoje

 

Em 1996, quando o surrealismo completava 100 anos de existência, foram feitas uma exposição em Nova York, uma série de lançamentos literários na Europa e, ainda, uma montagem surrealista, em palcos brasileiros. O museu Guggenheim, em Nova York, recebeu obras da artista Meret Oppenheim.

Na Europa, houve uma enxurrada de biografias e ensaios sobre o surrealismo, enquanto em São Paulo o diretor José Celso Martinez Corrêa estréiou, no dia 25 de setembro, a peça Para Acabar com o Juízo de Deus, do dramaturgo francês Antonin Artaud.

1996 foi, para o mundo, o ano do centenário do surrealismo. Em 2004, o Instituto Tomie Ohtake fez uma interessante mostra “Sonhando de Olhos Abertos – O Dadaísmo e o Surrealismo na Coleção de Vera e Arturo Schwarz”, abrigadas no Museu de Israel, em Jerusalém.

Dali…

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