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Contos perdidos – I

julho 26, 2010

Venho nesse post despejar alguns contos meus que redescobri em arquivo,  são contos e textos sem preocupação métrica ou de grande complexidade.

Esmo


Empunhei um lápis e fui me aventurar a escrever, admirei a imensidão branca do papel por alguns segundos e senti palavras sendo atiradas a todo instante.
Notei que minha mão se movia sozinha. Intimei imediatamente o controle do cérebro.
O papel estremecia e as palavras iam formando versos perfeitos como se tivessem sido preescritos.
A poesia prometida não se atrasa a terminar. Um ponto final se aproxima com precisão.
Sublime e chocante, fechando assim um mundo perfeito que perdera a sua razão logo no primeiro verso.
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Notas de um antigo subsolo alemão




Um bigode característico é visto ao longe, acompanhado de formas rússticamete combinatórias oriundas de um par de olhos travados, contendo uma íris petrificada. Ele nem se preocupou em cumprimentar Goebbels, passou sem ao menos trocar olhares, e logo os espectadores deduziam ao longe uma fala heróica para o personagem: “Por que perderia meu tempo com tal infortúnio?”. O que os terceiros não podiam perceber é que diante de sua visão severa  estava um dia especial, a Baviera brilhava em sua frente, os bunkers beiravam a calmaria, só se ouvia os gritos contido de dor dos judeus, contidos porque havia um certo receio de que a tortura fosse reconhecida pelo cérebro, não dava para ver os seus rostos, esse era um problema.Ao ouvirem , os pobre meninos de raça superior tomavam conta que não sabiam identificar a raça pela voz, e em poucos segundos os gritos de vermes judeus se transformavam em gritos de mães queridas, de pais cuidadosos, seus entes estavam sofrendo alí.O alívio só vinha quando achavam os corpos dos prisioneiros, suspeitavam que aí se escondia o real motivo para o escárnio pela exposição.

Um papel e uma caneta e lhe dê dez minutos, antes mesmo do prazo ele lhe entregará um conjunto de palavras capaz de inflamar uma nação.Entre ondas sonoras ele dispara um texto tão sombrio e inacreditável, que poucos hão discordar.Quem é este homem?Diziam aqueles que escutaram seu discurso pela primeira vez, e ele com calma deixava bem claro que aquela não seria a última vez, isso sem so menos alterar o tom.Através de aplauso que funcionam como “backing vocals” ele deixa mais um comício bem sucedido, com passadas firmes e convincentes pois nessa Alemanha não há porque reclamar nem ao menos agradecer, o “Hei Hitler” é dito a pleno pulmões nos quatro cantos de Berlim.

Mas como quase tudo surge em uma tarde seguida de um adjetivo ultrajante, era uma tarde extravagante.Um oficial perturba o sossego do chanceler, lhe traz um papel, uma carta…Ela é calmamente aberta e apreciada de uma forma quase artística de quem é tão esplendorosa caligrafia? No fundo ele sabia, mas uma introdução se faz necesária, mais uma cúmplice de suas palavras esbravejadas, pensava, porém ao se deparar com o nome “Leni Riefenstahl” sua irís se perde, suas lembranças se perdem, o chão é inútil, vive naquele instante uma noite calma assistindo ao magnífico filme “Der Heilige Berg”.Era ela! Sim, ela mesma…a dançarina que o conduziu pela tela à mais sublime fantasia reprimida. Sim, ela mesma…sim! Sim…droga. Era ela mesma.

Finalmente as lágrimas chegaram  aos seus olhos, mas por cautela da natureza infelizmente não caíram.Talvez estivessem aguardando uma dor maior.Todos sabiam que era inútil esconder, se sentia  ao longe, o líder chorava compulsivamente.Largou mão de esconder e se mostrou para as quatro paredes lacradas que o cercavam, muito mal por sinal. Leni naquele exato momento chorou também, achava ela que era por uma briga com seu namorado, mas ela também sabia, alí eram derramadas muito mais do que tristezas, alí eram derramadas almas, almas essas que se iludiam na dureza do sonho. As estrelas como testemunhas de uma promessa: “Eu a econtrarei, e ela terá uma certeza, a minha incerteza.”

No dia seguinte o céu viu tal homem olhar para o alto, pensar e pensar, virar para a bela loira ao seu lado e tecer comentários sobre música e cinema com um olhar inseguro.Triste noite, mil vezes humilhado por suas lágrimas, ultraje de tamanha dimensão só cabia ser executado com a calma da lua, um ar leve e puro que chega aos pulmões sem avisar, e um rosto emocionado de uma mulher encantadora, que escancara a sua beleza de uma forma que ela se mantinha intacta alí, em algum lugar, não do corpor, não da alma, não do local, se mantinha alí, impossível de tocar, mas com sorte se respirava um pouco dessa atmosfera própria.

O vermelho que se espalha pelos campos de batalha nada mais é do que um prenúncio do desastre.O inferno nunca pareceu tão frio, congelava até as armas e a alma dos soldados representavam alvos fáceis.Homens vestindo um uniforme vermelho são tirados do caminho como insetos, mas eles chegam de todos os lugares, acabam com a estratégia, com suas armas precisas e olhar de heróis , eles são imbatíveis, pelo menos hoje.Não há o que negar, Stalingrado é deles, agora a única coisa que se pode levar com um poucoco de sorte é um bom resfriado e uma dor de cabeça.Já é tarde, porém  o Führer não consegue dividir sua utopia, ele quer pelo menos mais algumas noites, mesmo que seja naquele gelo.A sua enfurecida insistência dá finalmente os louros aos homens livres de boina.Era o fim, o tão pouco esperado fim, agora o Führer não responde mais as chamadas de emergência e nem se consegue mais ouvi-lo no rádio, todavia seus gritos esquizofrênicos ainda são escutados por muitos, mas agora eles são compreendidos melhor…

Em 8 de setembro de 2003, realmente se enterra a alma desse homem.Uma mulher nessa data é encontrada, era uma loira, com seus 101 anos,  ela não se mexia, não respirava, não sentia, não pensava, estava morta .Morrera dormindo, profundamente arrependida, provavelmente antes de seu último sono ela se questionava: a queda aconteceu em Stalingrado ou naquela noite?


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Uma análise contemporânea de “Admirável Gado Novo”

dezembro 3, 2009

Revivendo o blog do nada, venho fazer um post interessante para quem gosta de interpretações um tanto quanto filosóficas.Abaixo mostro uma análise diferente, não digo minha porque muitas pessoas devem ter isso em mente também, da música Admirável Gado Novo de um dos meus artistas favoritos dentro do cenário musical brasileiro, Zé Ramalho.


Obs: Os termos marcados com asterisco(*) são explicados no final do post.


Admirável Gado Novo


Composição: Zé Ramalho


No título existe uma referencia clara ao livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley.Nessa fábula, Huxley trabalha uma visão futurista de enorme contraste com a sua época, 1931, caracteriza pela falta de ordem.A obra retrata um mundo extremamente normativo, de ordem em demasia, com sociedades divididas em castas e aonde o social é substituido pela atuação da ciência.


Na troca de “mundo” por “gado” acontece não só uma redução social, o foco caí sobre nós humanos modernos através de uma metáfora Nietzschiana, mas também exprimi outro uso da frase tomado pelo sentido literal.É um “gado novo”, um “gado” que ainda não participa do jogo e que assim, assiste a tudo da form mais isenta possível.

Oooooooooh! Oooi!

Vocês que fazem parte dessa massa

Que passa nos projetos do futuro

É duro tanto ter que caminhar

E dar muito mais do que receber…


Logo no começo há uma retomada das idéias dissecadas do título.”Vocês” é usado para distânciar o narrador da “massa”, palavra essa que toma o sentido de rebanho.

“projetos do futuro” remonta o ambiente futurista do livro “Admirável mundo novo”.

A frase “dar muito mais do que receber” pode ser interpretada como o famoso problema social do produtivismo, sistema que se inaugura na sociedade mercantilista.


E ter que demonstrar sua coragem

À margem do que possa parecer

E ver que toda essa engrenagem

Já sente a ferrugem lhe comer…


Aqui é possível notar uma afirmação, quase um manifesto, alertando a autodestruição do sistema social-político em que vivemos.


Êeeeeh! Oh! Oh!

Vida de gado

Povo marcado

Êh!

Povo feliz!…(2x)


Essa felicidade citada no refrão pode ser facilmente relacionada com o conceito de felicidade moderna de Nietzsche*.


Lá fora faz um tempo confortável

A vigilância cuida do normal

Os automóveis ouvem a notícia

Os homens a publicam no jornal…


-Na primeira frase é tomada a alienação de forma sarcástica mudando o foco para um mundo em que o próprio narrado não se inclui mais.

-Quem conhece as teses de Foucault logo se identificará com a segunda frase e a ligará com a “Sociedade Disciplinar” *.Uma sociedade que castra as subjetivações e que controla através de poderes* normatização da sociedade.

-As últimas duas frases invertem o modo de visão humanista tratando o homem como mero propagador objetivo do que se passa em um mundo mecanizado.


E correm através da madrugada

A única velhice que chegou

Demoram-se na beira da estrada

E passam a contar o que sobrou…


Nesse verso a palavra “velhice” pode ser tomada como amadurecimento, ou seja, o único e pseudo amadurecimento que chegou.


Êeeeeh! Oh! Oh!

Vida de gado

Povo marcado

Êh!

Povo feliz!…(2x)


Oooooooooh! Oh! Oh!

O povo foge da ignorância

Apesar de viver tão perto dela

E sonham com melhores tempos idos

Contemplam essa vida numa cela…


Uma critica a segregação.A ignorância está mais perto do que se pensa, e o que se costuma se chamar de “elite” é apenas um grupo que foge da ignorância deixando rastros nítidos.

Nas últimas duas frases há uma explicitação do conformismo tal qual Álvaro Campos(Fernando Pessoa) na consagrada poesia “A Tabacaria” que tenta levar o passado na algibreira da calça, vivendo assim de uma ilusão.


Esperam nova possibilidade

De verem esse mundo se acabar

A Arca de Noé, o dirigível

Não voam nem se pode flutuar

Não voam nem se pode flutuar

Não voam nem se pode flutuar…


Uma crítica clara à religião e a dependência causada por ela.Sem catástrofe, sem a inumdação a arca não se move, além de não existir alguém capaz de dirigi-la, dependemos de Noé.Dependemos de um avatar, e isso se mostra em todas as religiões.


Êeeeeh! Oh! Oh!

Vida de gado

Povo marcado

Êh!

Povo feliz!…(2x)

Ooooooooooooooooh!


“Sociedade disciplinar” —-Foucault mostra como a sociedade é normativa e como ela padroniza os cidadãos(sem excessão) violentamente através de todos os tipos de poderes, principalmente o do saber.

Poderes em Foucaut —-No contexto o filósofo francês não só trabalha com poderes históricamente e economicamente absolutos como grandes corporações, religiões, sistemas sociais.Demonstra que poderes estão presentes em qualquer tipo de relação seja ela uma mera conversa ou um regime político.

Alegria moderna em Nietzsche —- Nit ironiza o conceito moderno de felicidade mostrando que ele é apenas uma fuga da vida, um jeito parcial de se viver fugindo da dor e dos aspectos tidos moralmente como “negativos”.A real felicidade só é encontrada quando se aceita a vida integralmente, com todos os seus prazeres e toda as suas dores e sofrimentos.

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Especial Fauvismo

março 15, 2009

Bom, acabo de postar um artigo sobre o Fauvismo/Fovismo. “Bestas Luminosas” e um resumo do movimento.

Viaje nas cores sem precisar de ácido e LSD…mas os danos colaterais podem ser bem maiores.

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Postada a terceira parte do especial sobre o Surrealismo

julho 9, 2008

A terceira parte é um especial sobre um dos grandes e mais intrigantes artistas do surrealismo: Salvador Dali.

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Especial Surrealismo

junho 29, 2008

Acabo de publicar no blog a primeira parte do especial sobre o movimento surrealista.É uma espécie de pesquisa e tentarei mostrar como o surrealismo está presente na arte.

Para ver este especial basta clicar no link “A Força motriz da arte…e do jarro de pandora também” na parte superior da página.

Enjoy.

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Aqui começa o Jarro de Pandora

dezembro 11, 2007

SEJA BEM-VINDO.

Começo aqui mais um blog, dentre milhares e milhares por aí.O intuito deste é simples, o de fazer você pensar, refletir e se expressar, sem uma hierarquia virtual, somente um pouco de bom senso.

Posts sobre política, arte, cultura, história, geografia, ciência, atualidades e artigos especiais.

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Pegue a cerveja, coloque a batata frita ensopada de gordura na mesa do pc, fale para os seus amigos que vai dar uma corridinha e venha visitar o JdP .