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Fetiches como propósito

abril 23, 2011

Fetichismo pelo social ou cultural é a abertura “perfeita” e necessária pra meninos desengonçados, desprezivelmente rasos e molestados pelo sistema.  E meninas que já jogadas num mundo estéril,  comparadas à traças e postadas como princesas de um mundo sem monarquia  se colocam como ferramenta essencial de validação desse fetichismo.
Frases de outdoor e de publicidade pulam nos cartazes e nas cabeças, guiando um falso ideal de liberdade. Essa é a abertura necessária para experimentarem relações, emoções e o sexo. Mas cá entre nós,  sabemos que por mais que se relacionem nunca se relacionarão. Por mais que se emocionem nunca serão tocados, e por mais que transem nunca sentirão o sexo.

O mundo é feito pra eles! Diz o rapaz alterado…e alguém no fundo completa:  O mesmo pensamento de um inocente escravo em sua Saturnais.

Pensamentos para compreensão:

“escravos eloqüentes e folhetinescos do gosto democrático e suas ‘idéias modernas’; todos eles homens sem solidão, sem solidão própria, rapazes bonzinhos e desajeitados,  a quem não se pode negar coragem nem costumes respeitáveis, mas que são cativos e ridiculamente  superficiais, sobretudo em sua tendência básica de ver, nas formas da velha sociedade até agora existente, a causa de toda miséria e falência humana: com o que a verdade vem a ficar alegremente de cabeça para baixo! O que eles gostariam de perseguir com todas as forças é a universal felicidade do rebanho em prado verde, com segurança, ausência de perigo, bem-estar e felicidade  para todos; suas doutrinas e cantigas mais lembradas são ‘igualdade de direitos’ e ‘compaixão pelos que sofrem’- e o sofrimento mesmo é visto por eles como algo que se deve abolir. Nós, os avessos, que abrimos os olhos e a consciência para a questão de onde e de que modo, até hoje, a planta ‘homem’ cresceu mais vigorosamente às alturas, acreditamos que isso sempre ocorreu em condições opostas, que para isso a periculosidade  de sua situação tinha de crescer até o extremo, sua força de invenção e dissimulação (seu ‘espírito’) tinha de converter-se, sob prolongada pressão e coerção, em algo fino e temerário, sua vontade de vida tinha de ser exacerbada até se tornar absoluta vontade de poder – acreditamos que dureza, violência, escravidão, perigo nas ruas e no coração, ocultamento, estoicismo, arte da tentação e diabolismo de toda espécie, tudo o que há de mau, terrível, tirânico, tudo o que há de animal de rapina e de serpente no homem serve tão bem à elevação da espécie ‘homem’ quanto seu contrário – mas ainda não dissemos o bastante, ao dizer apenas isso, e de todo modo nos achamos, com nossa fala e nosso silêncio neste ponto, na outra extremidade de toda a moderna ideologia  e aspiração de rebanho: como seus antípodas, talvez?”

Nietzsche

“A forma mais baixa que podemos conceber do universo de homens é aquela a que Heidegger chamou do mundo do “man”, mundo em que nos deixamos aglomerar quando renunciamos a ser pessoas lúcidas e responsáveis; mundo da consciência sonolenta,dos instintos anônimos, das relações mundanas, de quotidiano, do conformismo social ou político,da mediocridade moral,da multidão,das massas anônimas,das organizações irresponsáveis. Mundo sem vitalidade e desolado,onde cada pessoa renunciou provisoriamente a sê-lo,para se transformar num qualquer,não interessa quem,de qualquer forma. O mundo do não constitui,nem um nós,nem um todo. Não está ligado a esta ou aquela forma social,antes é em todas elas uma maneira de ser. O primeiro ato duma vida pessoal é a tomada de consciência dessa vida anônima e a revolta contra a degradação que representa”.

Emmanuel Mounier